O FIM DO CLUBE DE FADO
Sei que uma parte da comunidade do Fado me vê como um fundamentalista da tradição, achando que sou um velho do Restelo altamente inconveniente e incómodo. Vou tentar agora mostrar-vos a conexão existente entre os motivos que me levam a dizer o que penso, e que, em última análise, levam a essa leitura errada sobre a minha postura, e a recente venda do Clube de Fado a um grupo económico.
O Fado será muitas coisas, e não me cabe a mim defini-lo. Apenas posso enunciar aquelas que me parecem mais relevantes, aquelas com as quais intuo que poucos discordarão.
Antes de tudo, um princípio fundamental: quem tem autoridade para se pronunciar sobre estes assuntos é quem vive o Fado por dentro, seja desde sempre, seja a partir de uma certa altura da sua vida em que passou a fazê-lo de forma constante, consciente e (sempre!) por amor. Se todos podem dizer o que pensam sobre determinado assunto? Claro que sim. Se vou perguntar à florista aqui da rua quais as suas ideias sobre uma...